segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A gestão macroeconômica: os fins e os meios

A gestão macroeconômica: os fins e os meios

Quatro indicadores de desempenho dizem respeito aos principais objetivos da política macroeconômica, como mostrado a seguir: produto agregado, emprego, preços e transações externas.

1 - Produto agregado. O objetivo principal da atividade econômica é proporcionar um volume de bens e serviços finais capaz de atender à necessidades e à aspirações da população. Define-se, então, como primeiro objetivo da gestão macroeconômica a geração de um produto agregado tão próximo quanto possível da plena capacidade da economia. Busca-se também que as taxas de crescimento do produto ao longo do tempo sejam as mais altas possível, a fim de que sejam atendidas as aspirações crescentes da população e estendidos os benefícios da prosperidade econômica a todas as camadas sociais.

O objetivo, desde que outros aspectos macroeconômicos não sejam prioritários, é promover o crescimento do produto a taxas superiores às do crescimento demográfico, expandindo-se desta forma a produção per capita de bens e serviços finais.

2 - Emprego. Outro objetivo macroeconômico relevante é reduzir para os mais baixos níveis possíveis as taxas de desemprego do fator trabalho. Conceitualmente, a taxa de desemprego é determinada pela distância relativa entre a força de trabalho empregada e os contingentes demográficos das faixas etárias aptas para o exercício das atividades produtivas.

Há vários tipos de desemprego. A primeira distinção é entre desemprego voluntário e involuntário. São desempregados voluntários os indivíduos que vivem de rendimentos decorrentes de fatores de produção de sua propriedade, estudantes que acumulam capital humano para posterior ingresso no mercado de trabalho ou os membros de unidades familiares dedicados aos afazeres do lar. Do ponto de vista do desempenho global da economia, este tipo de desemprego não é preocupante, nem objeto de políticas macroeconômicas, posto que na maioria dos casos resulta de preferências individuais. O problema é a redução do desemprego involuntário, isto é do contingente que procura oportunidades ocupacionais, aceita os padrões vigentes de remuneração, mas permanece desempregado. Ainda pior é a perda do emprego por contingentes que se encontravam empregados, aumentado as taxas de desemprego involuntário.

A existência ou o aumento do desemprego involuntário é geralmente atribuível a razões cíclicas ou estruturais. O desemprego cíclico decorre de flutuações da procura agregada ou de movimentos sazonais de produção. Já o desemprego estrutural relaciona-se com a estagnação da economia, com o insucesso de políticas macroeconômicas ou com o desajuste crônico entre a oferta e a procura pelo fator trabalho. Pode resultar também de novos processos de produção, mais fortemente fundamentados em uso intensivo de capital e em tecnologias avançadas, substitutas de mão-de-obra.

A redução do desemprego involuntário dos tipos cíclico e estrutural é um dos mais importantes objetivos da política macroeconômica, haja vista o desconforto social e as suas conseqüências perversas. Ocorre que os desempregados nem sempre conseguem reempregar-se percebendo as mesmas remunerações que tinham antes, com a retomada do crescimento econômico. Novos contingentes que passam a integrar as faixas etárias produtivas podem estar dispostos a trabalhar por menores remunerações. Desta forma, os objetivos macroeconômicos relacionados ao emprego não se limitam a manter ou a reduzir as taxas do desemprego corrente, mas também à expansão das oportunidades ocupacionais, a fim de que os novos contingentes sejam absorvidos sem provocar movimentos estruturais de baixa na remuneração do fator trabalho.

Teoricamente, não há incompatibilidade entre a expansão do produto agregado e os objetivos ligados à sustentação e à expansão do emprego. São dois objetivos interconsistentes. Todavia, podem ocorrer movimentos estruturais nos processos de produção, geralmente resultantes de pressões para redução de custos, com vistas à maior competitividade das empresas, que comprometem as relações funcionais teóricas entre produto agregado e emprego. Estabelecem-se, assim, dificuldades efetivas para conciliação desses dois objetivos macroeconômicos: sem competitividade as empresas não conseguem manter os empregos que criaram; mas para ser competitivas são compelidas a aprimorar seus processos operacionais e a substituir a força de trabalho por novos recursos tecnológicos de produção e de gestão.

3 - Preços. A estabilidade geral dos preços e o equilíbrio estrutural entre os preços relativos dos diferentes bens e serviços constitui o terceiro objetivo macroeconômico. A estabilidade se verifica quando, em mercados livres, os índices de variação de preços ficam próximos de zero; o equilíbrio estrutural entre preços ocorre quando permanecem razoavelmente simétricos ao longo do tempo os índices de preços pagos e recebidos. Mudanças em estruturas relativas de preços ou variações agudas e persistentes nos índices sinalizam desequilíbrios macroeconômicos indesejáveis. Inflações ou deflações altas indicam que alguma coisa não vai bem com o desempenho global da economia. Tanto uma situação quanto outra demandam medidas corretivas.

Tanto a inflação crônica quanto o desemprego involuntário alto e em expansão são perversos do ponto de vista econômico e social. Quando uma dessas categorias de desequilíbrio ocorre, a pobreza se agrava, instalando-se situações críticas de desconforto que tendem a generalizar-se. Ainda assim, quase sempre se impõem escolhas: os meios que se empregam para estabilizar os preços podem conflitar com os que se empregam para promover a expansão do produto e do emprego.

4 - Transações externas. O quarto objetivo macroeconômico relevante é o equilíbrio das transações externas. A diferença entre exportações e importações de mercadorias e serviços é um dos fluxos da procura agregada. Logo, tem tudo a ver com os níveis de emprego e com os índices de preços, bem como com a sustentação ou com o crescimento do produto agregado.

Apenas em casos deliberados, os gestores da política macroeconômica podem induzir a situações de desequilíbrio em transações externas, sustentando déficits ou superávits nos saldos correntes comerciais e de serviços. Desequilíbrios nesses fluxos exigem compensações nas demais variáveis que compõem a procura agregada - ou o sistema todo se desequilibrará.

______________________________________________________________________

Enviado gentilmente por Ricardo M.R.S - MG


Nenhum comentário: